Estudo Conquisto · julho de 2026
Robôs de IA nos maiores sites do Brasil
Lemos o robots.txt
de 317 dos maiores sites brasileiros para responder uma pergunta simples: eles
deixam os robôs de IA entrarem? A resposta curta é que a maioria nunca decidiu — e
entre quem decidiu, boa parte bloqueou mais do que pretendia.
79.8%
nunca citaram um robô de IA no robots.txt
9.8%
bloqueiam ao menos um robô de busca — e perdem a citação
69%
de quem bloqueia treino também cortou os robôs de busca
Como o estudo foi feito
Começamos pela lista Tranco,
um ranking público de domínios usado em pesquisa acadêmica, e separamos os 500
primeiros domínios brasileiros (terminados em .br), que iam da posição
552 à 51 mil do ranking global.
De cada um, buscamos apenas o arquivo /robots.txt, que é
público — uma requisição por site, com User-Agent identificado
(ConquistoBot) e link para esta página. 317 responderam com um
arquivo legível, e é sobre eles que os números abaixo falam.
A interpretação das regras segue a convenção usada pelo Google: vence a regra de
caminho mais longo e, em empate, Allow ganha de Disallow.
É exatamente a mesma lógica do
verificador de robôs de IA — o
estudo e a ferramenta dizem a mesma coisa sobre o mesmo site.
Achado 1: quatro em cada cinco nunca decidiram nada
79.8% dos sites não mencionam nenhum robô de IA no robots.txt. Não é permissão consciente: é ausência de decisão. Na prática esses sites estão liberados, porque a convenção do robots.txt é que o que não está proibido está permitido — mas ninguém na empresa escolheu isso.
Para a maioria dos negócios esse acidente é favorável: estar acessível é o que permite ser citado. O problema é que a mesma inércia deixa a porta aberta também para o uso do conteúdo em treino de modelos, que é uma decisão bem diferente e que merecia ser tomada de propósito.
Achado 2: quem bloqueia, bloqueia demais
45 sites (14.2%) bloqueiam ao menos um robô de treino. Faz todo sentido para quem vive de conteúdo — jornalismo, cursos, pesquisa — e não quer alimentar modelos de graça.
Só que apenas 14 desses sites fazem isso de forma cirúrgica, bloqueando o treino e mantendo os robôs de busca liberados. Os outros 31 — 69% de quem bloqueia — derrubaram junto os robôs que citam a fonte e mandam o clique de volta.
É a diferença entre "não quero virar material de treino" e "não quero aparecer". A primeira é uma posição sobre direitos do conteúdo. A segunda é abrir mão de tráfego. Quase sempre a segunda foi efeito colateral da primeira: os nomes dos robôs são parecidos, as regras são independentes, e um bloco copiado da internet resolve tudo do jeito errado.
Achado 3: o robô mais bloqueado do Google é o que menos deveria ser
Entre os robôs de busca, o mais bloqueado é o Google-Extended, em 8.8% dos sites — quase o triplo do OAI-SearchBot (3.2%).
A explicação mais provável é um mal-entendido: muita gente bloqueia o
Google-Extended achando que está se protegendo de alguma coisa ligada ao
Google. Só que ele não afeta o ranking da busca tradicional — o
Googlebot continua rastreando normalmente. O que ele controla é a presença nas AI
Overviews e no Gemini. Bloquear significa sumir do bloco de resposta que hoje ocupa o
topo de boa parte das buscas.
O quadro completo
| Robô | Empresa | Bloqueiam | Citam no arquivo |
|---|---|---|---|
| Robôs de busca — decidem se você é citado | |||
| OAI-SearchBot | OpenAI | 3.2% | 6.6% |
| ChatGPT-User | OpenAI | 4.7% | 10.7% |
| PerplexityBot | Perplexity | 4.4% | 9.1% |
| Perplexity-User | Perplexity | 3.5% | 5.4% |
| Claude-User | Anthropic | 3.5% | 3.8% |
| Claude-SearchBot | Anthropic | 3.2% | 2.5% |
| Google-Extended | 8.8% | 14.2% | |
| Robôs de treino — alimentam os modelos | |||
| GPTBot | OpenAI | 11.7% | 16.4% |
| ClaudeBot | Anthropic | 9.5% | 13.6% |
| Applebot-Extended | Apple | 6.6% | 8.5% |
| CCBot | Common Crawl | 11.7% | 13.6% |
| meta-externalagent | Meta | 7.3% | 9.5% |
| Bytespider | ByteDance | 9.5% | 8.5% |
O que não dá para afirmar
Este estudo mede o que os sites declaram no robots.txt, e só isso. Três limites que importam:
- Existe uma segunda camada de bloqueio que não medimos. Dos 500 domínios, 51 devolveram HTTP 403 no próprio robots.txt e 74 não responderam. Boa parte disso é firewall ou proteção anti-bot recusando qualquer cliente que não seja um navegador — o que atingiria robôs de IA também. Tentamos separar "bloqueia bots" de "bloqueia tudo que não é navegador" e não conseguimos com rigor suficiente: WAFs modernos identificam o cliente pela impressão digital da conexão TLS, não pelo User-Agent, então um script se passando por navegador é detectado do mesmo jeito. Um teste honesto disso exige um navegador de verdade automatizado, e ficou para uma próxima rodada. Preferimos deixar a lacuna explícita a publicar um número que não se sustenta.
- Robots.txt é convenção, não trava. Um robô mal-educado ignora o
arquivo. O
Bytespider, da ByteDance, é o caso mais citado. - A amostra é de sites grandes. São os 500 domínios brasileiros mais bem posicionados na Tranco. Sites menores provavelmente decidiram ainda menos sobre o assunto, mas isso é hipótese, não medição.
Reprodutibilidade
Os dados agregados que geram esta página estão no repositório do site, em
src/data/estudo-robots-2026.json. A coleta é uma requisição pública por
domínio; qualquer pessoa com a lista Tranco e um script de dez linhas chega aos mesmos
números. Se você encontrar erro na apuração,
me escreva que eu corrijo e registro a
correção aqui.
Não publicamos a lista nominal de sites bloqueadores. O objetivo é medir uma prática, não expor empresas por uma configuração que, na maioria dos casos, ninguém tomou conscientemente.
E o seu site?
O verificador de robôs de IA roda a mesma análise no seu domínio, bot a bot, e ainda faz um teste de acesso real. É gratuito e leva alguns segundos.
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